"Não acrescentemos dias à nossa vida, mas vida aos nossos dias"
Quinta-feira, 19 de Abril de 2007
Visão (fictício)

Parte da minha rotina consiste em deslocar-me de transporte público...autocarro. Mas hoje tive uma bela surpresa nessa minha viagem rotineira, de regresso a casa: hoje a paragem foi temperada com um pouco mais de pimenta, hoje foi pintada com cores mais berrantes, com cores mais quentes, com cores mais envolventes... Isto porque um ser deslizou até à paragem onde eu me inquietava pelo desejo de chegar a casa!

Assim que ela chegou áquele sítio, os meus olhos congelaram-se logo nela...deslumbrados pelo cabelo curto e sensual, de um fogo doce, aveludado, e intenso, qual vinho perfeito,

Eu, por muito discreto que sou e sempre fui, não conseguia manter um nível de discrição minimamente aceitável! Olhava, não me importando com nada nem ninguém, só com ela... Nem fazia caso a quem me dirigia a palavra, não por desprezar tal pessoa, mas apenas porque naquele momento eu não estava presente...pelo menos não o meu eu consciente, apenas lá estava a carcaça... A alma rodopiava em torno dela, deleitando-se com o seu perfume de jasmim, com os seus olhos penetrantes, com as suas curvas deliciosas, inclusivé com a sua marca eterna no corpo...tratava-se de uma lua...talvez para representar o mistério que a envolve, o mistério sensual no qual ela está embebida!

E, para piorar este meu estado romanesco, o veículo que ela escolheu como sendo aquele a qual lhe iria competir a honra de a levar até ao seu destino....esse tinha de ser logo aquele no qual eu pretendia entrar... Ainda hesitei...a parte de mim que ainda segurava a réstia de pudor e vergonha hesitou...mas todo eu (ou a maioria) já me tinha rendido às perdições daquele rosto intrigante.

Entrei, e aconcheguei-me a um poste, no meio de um sufoco de pessoas, acanhadas no autocarro. Durante uma boa parte da viagem eu não a via...

Pensava já eu que não se tinha tratado senão de uma alucinação, provocada pelo sol, quando as pessoas aclaram o autocarro e eu a vejo: sentada no fundo, nos últimos bancos, sozinha...

Não tive coragem suficiente para a abordar...

E para agravar tudo, a paragem em que ela sai, equivaleu à minha...e durante um bocado andámos separados apenas por um ou dois metros...eu sem nunca ganhar coragem para dizer "Olá" e ela, sempre mantendo o andar de deusa, nunca me presenteando com um olhar sobre o seu ombro... 


sinto-me: Com Calor

publicado por Sr. Dr. Ricky às 21:08
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Sexta-feira, 6 de Abril de 2007
Velejando

 

 

No outro dia tive um momento daqueles...daqueles nos quais a vida pára. Um momento em que as pessoas se calam...um momento em que os carros param...um momento no qual apenas a natureza prossegue com a sua silenciosa existência. E nesse momento tive tempo suficiente para poder pensar, sem pesos na minha consciência, sem outros problemas adjacentes. E pensei sobre a vida...sobre a minha vida em particular e, quando pensamos bem, são notórias as semelhanças da vida com velejar...

Ora pensem comigo: na vida há aquelas fases em que algo novo aparece e, sendo bom ou mau, temos que nos adaptar a esse novo elemento... Quando velejamos (não é que eu já o tenha feito mas a minha imaginação é farta) temos de nos adaptar ao estado do tempo naquele momento, e temos que fazer mais esforço no leme, ou temos que ajustar as velas ou seja o que for...temos que responder...temos que nos adaptar.

Na vida há também aquelas fases em que tudo corre mal...aquelas fases em que nos assemelhamos a uma viola desafinada, na qual nenhuma nota soa como devia. A velejar também passamos por tempestades...tamanhas tempestades que às vezes o mais acertado é apenas segurarmo-nos bem seguros ao leme, para que não sejamos lançados ao mar revolto e tumultuoso!

 

E depois há aqueles momentos, em que não precisamos de fazer nenhum ajuste nas velas, nem no leme, nada... Aquela fase solarenga em que não temos um objectivo imediato...em que apenas nos deitamos ao sol, deixando-nos conduzir ao sabor do vento, mas sempre com o destino em vista.

É esta fase que atravesso agora...sei o que quero e para onde quero ir, isto é, tenho muitos e bons objectivos a longo prazo...mas de imediato, vou-me deixar estar espreguiçado, aproveitando o sol e disfrutando do meu primeiro momento de descanso desde a última tormenta.

O vento favorece-me, apenas porque sopra levezinho, levezinho...e não me desvia do meu caminho, deixando-me permanecer deitado a mirar o azul intenso do céu, recortado por algumas nuvens brancas.

 

 


sinto-me: apenas e tão somente....bem!

publicado por Sr. Dr. Ricky às 21:05
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