"Não acrescentemos dias à nossa vida, mas vida aos nossos dias"
Segunda-feira, 19 de Junho de 2006
Do Stress "Quotidiano" Para O Relaxar "Estival"

Escuro…se me pedissem para descrever o que sinto neste momento: escuro…apenas porque não consigo abrir as pálpebras que tanto pesam do imenso sono que tenho.

Mas tenho que fazer um esforço para o fazer pois tenho responsabilidades: preparar-me para a escola…não me posso desleixar no 10º ano.

Levanto-me, cambaleio até à casa de banho, depois até à cozinha…retorno ao quarto e deslumbro a cama aberta como se me chamasse para voltar ao sono dos justos; mas a minha consciência actua sobre mim, com a ajuda da voz da minha mãe que me chama já nas escadas do prédio: “Vem lá filho, despacha-te” diz ela…como não quero obedecer…Uma força repele-me da porta de casa e atrai-me para o meu quarto, ela incita-me a permanecer aí o dia todo…sem sequer abrir os olhos ou levantar a cabeça.

Lá cumpro o pedido da minha mãe, acalmo o meu pai que já se pôs nervoso com as horas e parto em direcção a um dia novo com rotinas antigas…

Como todos os dias, chego à escola, falo a todos que me conhecem, apesar de eu não conhecer muitos deles, cumprimento quem realmente conheço e lanço um sorriso a quem realmente gosto. Tal e qual como noutros dias, desejo uns quantos furos no meio do meu horário: que aluno não o deseja?

Aulas, aulas, palavras, algumas importantes outras nem por isso, que vagueiam pelo ar de uma sala, sobreaquecida com o bafejar de 20 e tal pessoas enclausuradas numa sala relativamente pequena para o número da assistência.

Aula que consiste numa pessoa que fala do que pensa saber, para uns quantos atentos que pensam gostar, para uns outros distraídos que pensam já saber e para mais uns muitos que pensam apenas em se irem embora! Não sei em qual categoria me enquadro mas não gosto muito disso: categorizar pessoas. Todos somos únicos e esse é um dos poucos ensinamentos que preservo da primária!

O toque estridente duma campainha torna-se numa obra-prima composta por um autêntico génio, que nos dá a saber que a aula acaba e estamos finalmente livres. Sei que necessitamos de aulas, até porque “aluno” em latim significa “pessoa sem luz” (“a” – prefixo de ausência”, “luno” – provém do latim e significa luz no sentido de saber) e é por isso que estamos na escola: para nos iluminarem.

Caminho para casa em cima de dunas escaldantes resultantes do tempo abafado em demasia, no qual nem o vento arrefece e nem a sombra abriga. Este Verão está especialmente cruel para quem anda pela rua…mais uma razão para não sair do conforto caseiro.

Chego a casa, atiro com a mochila para o chão com as forças que me restam; já acarto com este peso há uns bons anos e cada ano que passa tem tendência em ficar mais pesada: não me refiro ao peso em kg de livros ou material mas ao peso da responsabilidade que acumula com o passar dos anos lectivos.

Acomodo-me, dispo-me e visto-me, pego num copo e encho-o de um líquido qualquer; apenas me interessa tirar este sabor nefasto de asfalto e gravilha que tenho na minha boca…Sinto-me mesmo a desidratar; este é de certeza a melhor bebida que alguma vez saboreei.

Caminho até ao canto mais acolhedor nesta casa, para mim: o meu sótão, do qual apenas eu usufruo, onde tenho o meu computador, uns quantos CD’s e livros, e uma ventoinha para suportar o calor imenso que se faz sentir multiplicado neste canto. Sento-me em frente ao ecrã, com o teclado debaixo dos meus dedos…chego sempre a esta altura do dia e apetece-me sempre escrevinhar qualquer coisa, mas uma pergunta assombra-me: “O quê?” Tenho a vontade mas falta-me o tema, a imaginação e, muito sinceramente, o jeito.

Desisto, como o faço todos os dias, e guardo esta minha ânsia de bater no teclado para um dia de inspiração pelo qual já espero há uns bons tempos.

Depois de jantar, ficar em frente da TV qual vegetal, e de ter umas conversas imensamente supérfluas com os meus pais, dirijo-me para a minha cama. Está na hora de ter um merecido descanso, não porque o mereço já que pouco fiz hoje, mas apenas porque gosto de o assim intitular.

A dificuldade que tenho ao acordar de abrir os olhos verifica-se agora ao adormecer: não consigo fechar os olhos de tanto que penso em tanto e tão pouco. Chego a falar comigo mesmo e a pedir-me para parar de pensar, pelo menos por agora, porque necessito do pouco descanso que posso usufruir nesta minha acutilante rotina!

Adormeço finalmente…a paz invade todo o meu corpo incluindo a minha cabeça: finalmente cesso de magicar fórmulas inúteis ou de prever possíveis acontecimentos utópicos do dia seguinte…agora um sentimento usurpa-me o pensamento: é assim que me sinto bem, num estado de dormência permanente…uma paz interna eterna…palavras parónimas que tão bem combinam na minha cabeça!

Novo dia…com rotinas já cansadas de tanto serem repetidas…Já nem me queixo; habituei-me à ideia do quotidiano, e, de certa forma, rendi-me; entreguei as armas que há muito deixaram de cumprir serviço. Acho que é inédito: um adolescente que parou de se revoltar…Mas assim foi; acho que me acomodei demais à rotina diária e as únicas conspirações que magico na minha cabeça não passam para o papel…pelo menos não para um papel real; algumas publico virtualmente…Limito a minha revolta à música que oiço, e à forma como, trocando por miúdos, jogo à bola. Punk Rock, Heavy Metal, Hard Rock, Rock, e coisas parecidas fazem as minhas delícias. Não sei se tenho cara de quem ouve este tipo de música mas, como já disse, não existem categorias para as pessoas…isso usa-se num supermercado para os produtos…Obviamente que sempre existem aqueles estereótipos de quem ouve este tipo de música mas; e já que esses são sinónimos para as categorias; desprezo qualquer um: O ser humano é único e não se confunde no meio de muitos outros.

Passam-se uns quantos dias e umas quantas noites…poucos momentos interessam retratar já que a incessante rotina não perde o seu adjectivo predilecto.

Com este tempo que passa, passam também novos problemas, novas questões e situações às quais tenho de responder, sempre, com a maior prontidão…Como me enerva isto: não poderei eu ter uma época de paz? Sempre me disseram que depois da tempestade vem a bonança mas a minha há muito tempo que deixa de me bater à porta, deixando que a tempestade me governe a vida.

Muito sinceramente, acho que sou mesmo eu que provoco tal coisa. Eu e a minha mania de me meter em quantos projectos conseguir; eu e a minha mania de querer ajudar todas as pessoas que encontro, algumas que conheço outras nem por isso, poucas de quem gosto e a maioria que apenas conheço; eu e a minha mania de não conseguir estar sozinho.

Preciso de fazer uma pausa nos relacionamentos…Sempre me considerei forte no foro sentimental, no sentido em que não sofro muito por tudo acabar…costumo até ser eu a acabar…Mas acho que estou a perder essa…”capacidade”…não lhe chamarei qualidade já que não creio que seja…

Preciso de viver…de me viver.

Estão à porta as férias de Verão. Finalmente vou poder descansar a minha mente; as sessões exigentes de briefing escolar finalmente param e toda aquela informação que restou é arrumada a um canto das profundezas da minha mente. É engraçado: passo um ano inteiro a ouvir falar da mesma coisa para depois pôr de lado tudo…mas apenas por uns quantos meses.

Mas acho que todos os alunos precisam desta “ignorância momentânea”, assim estamos mais “frescos” e lúcidos nas férias. Não carregamos o peso de responsabilidades nem de matérias de todos os tipos. Apenas levamos connosco a convicção de nos divertirmos ao máximo; mais ainda do que no ano passado; e assim sucessivamente.

Como em todos os Verões, espero ser surpreendido pela vida. Aliás, como em todos os momentos: todos nós esperamos sempre uma surpresa, de preferência agradável, da vida, para continuarmos com ela cada vez mais alegres!


sinto-me:

publicado por Sr. Dr. Ricky às 14:23
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7 comentários:
De alexiaa a 19 de Junho de 2006 às 15:08
Ora bem...estou..exausta!!! Realmente as rotinas muitas vezes são devastadoras e despoletam a inércia: O truque é visualizá-las com antecedência e prevenir a invasão das mesmas:).
Permite-te sair um pouco do caminho certo, nada de exageros mas uma dose certa de irreverencia esporádica faz milagres!
Outra coisa que te quero dizer é que já não é a 1 vez que fazes referencia à tua falta de jeito para escrever...não gosto de te ler nesse registo. Tens algo que me traz aqui e olha que eu sou exigente:))))!
Um beijinho enorme e uma boa semana!


De Afonsinetes a 19 de Junho de 2006 às 16:54
Bem! Eu e a Alexiaa devemos ser as únicas a ler esse texto todo!! Loool Tens bastante jeito para escrever, eu pessoalmente admiro a tua escrita! Um verdadeiro escritor encontra 1001 palavras adequadas para um simples momento ou uma simples rotina. Sabes o que escreveste também é um pouco o conceito de liberdade...tu fazes essa rotina para quê??!! Porque é o melhor para ti foi uma opção tua ou não mas é o melhor para ti além disso se optasses por outra coisa terias na mesma rotina...lol Deu-me grande gozo passar um bocado a ler o teu texto e já não é a 1ª vez que me divirto com os teus posts e se pensasses em escrever um livro? Já percebo como o código Da vinci tem 532 páginas! Lol Se fosses tu a escrevê-lo teria o dobro! Vota sempre! Xau!


De Afonsinetes a 21 de Junho de 2006 às 19:03
Olá Ricky! Passei por cá para comentar o comentário que deixaste no otherplaceofmind sobre Lucrécia....então cá vai:
Ainda bem que es o único a perceber o quão fantástico é o Livro, ainda não o li mas também tenho a mesma perspectiva que tu! BJocas! Xau Volta sempre!
PS: Sempre fizeste a mesma peça que o Tiago??!! Se fizeste espero que tenha te corrido tão bem como correu ao Tiago!


De alexiaa a 21 de Junho de 2006 às 20:17
E eu venho agradecer o convite...moro perto:) mas esta sexta não tenho hipótese de ir apesar de ter alguma pena, seria curioso passar por lá e cumprimentar-te pessoalmente para além de poder assistir a algo que gosto muito!
Certamente existirão outras oportunidades, espero que voltes a reiterar o convite noutra ocasião.
Beijinhos


De Afonsinetes a 22 de Junho de 2006 às 17:16
Olá Ricky mais uma vez! É mesmo impossível eu assistir a uma peça de teatro vossa apesar da minha vontade exagerada de ir é mesmo impossível!! Vivo bastante longe daí......; C Mas depois dá notícias!
Xau, jocas e obrigada por tudo!!!


De Carolina Rodrigues a 23 de Junho de 2006 às 16:51
Vi os teus comentarios no blog da Afonsinetes - Pisar o Palco, e resolvi entrar visto que gostas de teatro.
Bom tenho uma dica para voce... foi criado um blog da minha peça de teatro "Ataque das Galinhas" ainda esta muito incompleto mas logo logo, com a ajuda de todos irá se tornar num cantinho bem gostoso de se frequentar...
Contem um fotonovela da serie da peça, sempre que possivel iremos colocar videos e tem muitas noticias sobre a peça.
Esperamos lá por voce*
B-jao
:::A equipe Ataque das Galinhas:::


De Afonsinetes a 25 de Junho de 2006 às 18:57
Obrigada mais uma vez Ricky, ups Sr. Dr. Ricky, pelo seu belo comentário..lol nunca mais postas e eu naom posso dar mais a minha opiniao lol! Bjão Afonsinetes


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